Mercado · 10 min de leitura

Taxas de iFood e Rappi: Quanto Realmente Comem Sua Margem (2026)

Quanto iFood, Rappi e Uber Eats cobram de comissão real em 2026? Cálculo total incluindo taxa de serviço, antecipação e marketing forçado. Estratégias práticas pro dono.

Bruno Vinhas, Fundador do Gestor Gourmet·

TL;DR — O essencial em 30 segundos

  • Taxa real 2026: iFood, Rappi e Uber Eats cobram 23-30% sobre o pedido somando taxa de serviço, antecipação e marketing forçado.
  • Impacto na margem: Pizza de R$ 50 pelo iFood Plano Super gera margem bruta de ~31%. Direto pelo WhatsApp: ~44%.
  • Diferença real: R$ 6-8 por pedido a menos nos apps. Com 30 pedidos/dia = R$ 5.000-7.000/mês perdidos.
  • Estratégia certa: Usar apps pra volume e aquisição, mas incentivar pedido direto com cupom e WhatsApp Business pra clientes recorrentes.

O panorama das taxas de delivery em 2026

O iFood é o líder absoluto no Brasil, com mais de 70% do market share de delivery por app. O Rappi, que chegou a sair do país em 2024, voltou em 2025 com modelo mais enxuto focado em algumas capitais. O Uber Eats mantém presença relevante principalmente em São Paulo, Rio e Brasília. O 99Food atua em crescimento fora das capitais.

A confusão começa porque nenhum marketplace anuncia a taxa total de forma direta. O que aparece no contrato (12% ou 23% de comissão) é apenas a ponta do iceberg. Some as demais cobranças e o número real é bem diferente:

MarketplaceComissãoTaxa serviçoAntecipaçãoMkt forçadoTOTAL
iFood (plano básico)12%7%até 3%~3%~25%
iFood (plano super)23%0%até 3%~3%~29%
Rappi (2026)18%5%até 3%0%~26%
Uber Eats15%7%até 3%~3%~28%
99Food15%5%até 3%0%~23%

* Valores estimados para 2026. Podem variar por região, categoria e volume de pedidos. A antecipação de recebíveis é opcional mas amplamente usada. Marketing forçado refere-se a participações "recomendadas" em campanhas da plataforma.

Cálculo real: o que sobra da venda no app

Vamos fazer a conta que a maioria dos donos nunca fez de forma completa. Pizza vendida a R$ 50,00 pelo iFood Plano Super:

Preço de venda no appR$ 50,00
(−) Comissão iFood Super 23%R$ 11,50
(−) Antecipação de recebíveis 3%R$ 1,50
(−) Marketing forçado ~3%R$ 1,50
(−) Simples Nacional 8%R$ 4,00
(−) Taxa cartão 2%R$ 1,00
= Sobra depois das taxasR$ 30,50 (61%)
(−) CMV do produto 30%R$ 15,00
= MARGEM BRUTA DA VENDA NO APPR$ 15,50 (31%)

Agora a mesma pizza pelo WhatsApp/pedido direto:

Preço de venda diretoR$ 50,00
(−) Simples Nacional 8% + taxa cartão 2%R$ 5,00
= Sobra depois das taxasR$ 45,00 (90%)
(−) CMV 30%R$ 15,00
(−) Custo de entrega próprio (motoboy parceiro)R$ 8,00
= MARGEM BRUTA DA VENDA DIRETAR$ 22,00 (44%)

Diferença por pedido

R$ 6,50 por pedido (13pp de margem)

30 pedidos/dia × R$ 6,50 = R$ 195/dia ≈ R$ 5.850/mês de margem perdida pra apps

Por que ainda vale estar no iFood (honestidade necessária)

Antes de falar em estratégia, precisa ter honestidade: o iFood tem razão de existir no seu mix. O problema não é usar o app — é depender exclusivamente dele sem entender o custo real de cada venda.

Volume imediato: iFood traz cliente que não conhece seu restaurante. É canal de aquisição de novos clientes, não só de vendas.
Visibilidade de marca: Aparecer no app coloca você na consideração de pessoas que nunca passariam na frente da sua porta.
Cliente novo que vira recorrente: O cliente que pediu pelo iFood pode se tornar fiel pelo WhatsApp. O app é o início da relação, não o fim.
Ociosidade virou receita: Horário de baixo movimento no salão pode gerar pedidos pelo app que cobrem custos fixos. 5-8% de margem na ociosidade é melhor que zero.

O ponto de atenção

O problema não é estar no iFood. O problema é quando o app representa mais de 60-70% do faturamento e você não tem estratégia pra migrar clientes recorrentes pro canal direto. Aí a plataforma vira dependência, e dependência tem preço.

5 estratégias práticas pra proteger sua margem

1

Cardápio com preços diferentes (app vs balcão)

+8-12pp de margem por pedido migrado

Precifique no app com 10-15% a mais que no balcão/WhatsApp. O cliente que pede direto economiza — e você recupera margem. Essa prática é legal e cada vez mais comum. Sinalizar claramente no cardápio do app: "Peça pelo nosso WhatsApp e economize".

2

WhatsApp Business com catálogo estruturado

Custo por pedido direto: R$ 0 vs R$ 12-15 no app

Monte um catálogo do WhatsApp com fotos, descrições e preços. Treine a equipe pra coletar o número do cliente em toda entrega do iFood. Automatize o primeiro contato com mensagem de boas-vindas e cupom de boas-vindas.

3

Cupom impresso na embalagem do iFood

Taxa de conversão estimada: 8-15% dos clientes novos

Coloque dentro de cada pedido do app um panfleto simples: "Peça direto no nosso WhatsApp e ganhe 10% de desconto no próximo pedido. (41) 9xxxx-xxxx". Custo do material: R$ 0,05 por pedido. Margem adicional quando o cliente migra: R$ 5-10 por pedido.

4

DRE separado por canal de venda

Visibilidade pra pausar canal que não compensa

Saber apenas o faturamento total não resolve. Separe no DRE: salão, delivery próprio, iFood, Rappi, outros. Calcule margem bruta por canal. Você pode descobrir que o iFood representa 40% do faturamento mas apenas 20% da margem — decisão óbvia a tomar.

5

Negociar com iFood acima de R$ 30k/mês no app

3-5pp de comissão = R$ 900-1.500/mês em R$ 30k de app

Poucos donos sabem, mas é possível negociar comissão diretamente com o iFood quando você faz volume relevante. Acima de R$ 30-50k/mês no app, vale pedir uma reunião com o account manager. Redução de 23% pra 18-20% no Plano Super é possível dependendo da categoria e cidade.

Calcular margem real por canal é trabalho de planilha gigante — separar venda do iFood, do Rappi, do balcão, descontar taxa de cada um, comparar com CMV específico. Ferramentas como o Gestor Gourmet fazem isso automático: você cadastra a venda por canal e o sistema calcula margem bruta separada, mostra qual app está comendo dinheiro e qual está gerando resultado.

O que a ABRASEL e o setor dizem sobre as taxas

A ABRASEL tem campanha ativa — “Cobre Justo” — pedindo cap nas comissões dos marketplaces e maior transparência sobre os custos totais. A entidade estima que o setor de alimentação fora do lar paga entre R$ 7-12 bilhões por ano em comissões para plataformas de delivery.

Em 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) abriu investigação sobre práticas anticoncorrenciais do iFood. O resultado final ainda não saiu, mas a pressão regulatória pode levar a mudanças nas taxas ao longo de 2026-2027.

O que você pode fazer agora

Não espere regulação pra agir. A estratégia de canal misto (app + direto) já compensa hoje. Cada R$ 1 de pedido direto que você migra do app representa ~R$ 0,13-0,15 de margem extra. Em escala, isso muda o resultado do mês.

Próximo passo

Veja quanto cada canal realmente te paga

O Gestor Gourmet separa venda por origem (salão, delivery próprio, iFood, Rappi) e calcula a margem por canal automaticamente — sem planilha, sem conta manual.

→ Fazer diagnóstico grátis

Perguntas frequentes sobre taxas de delivery

Quanto o iFood cobra de taxa em 2026?
Plano básico cobra 12% de comissão + 7% de taxa de serviço. Plano super cobra 23% sem taxa de serviço. Some antecipação de recebíveis (até 3%) e marketing forçado (~3%) — total real fica em 25-29% dependendo de como você usa a plataforma.
Vale mais o plano básico ou plano super do iFood?
Depende do volume. Quem fatura pouco no app, o básico (12% + 7% = 19%) sai mais barato em valor absoluto. Quem fatura muito, o super (23% total) compensa pela visibilidade e ranking superior. Break-even aproximado: R$ 8-12k/mês no app é onde os planos se equivalem.
Quanto sobra de margem em pedido pelo iFood?
Em média 8-15% de margem líquida no pedido do app vs 20-30% no pedido direto (balcão/WhatsApp). Diferença pode ser R$ 5-8 por pedido. Multiplicado por 30 pedidos/dia = R$ 4.500-7.000/mês de margem a mais que você poderia ter.
Como reduzir dependência do iFood?
5 estratégias: (1) cardápio com preços diferentes app vs direto, (2) WhatsApp Business com catálogo completo, (3) cupom impresso na embalagem do app, (4) programa de fidelidade para cliente direto, (5) entrega própria com motoboy parceiro para raio pequeno.
Vale a pena estar no Rappi ou Uber Eats em 2026?
Sim, principalmente em capitais. Diversificação reduz risco de bloqueio inesperado em uma plataforma. Mas concentre 70-80% no iFood (líder absoluto) e mantenha 20% no segundo app como opção. 99Food tem comissão menor e pode valer testar em regiões onde estão crescendo.

Conclusão: app de delivery é canal, não negócio

A armadilha do delivery por app é confundir faturamento com lucro. Restaurante que faz R$ 50k/mês no iFood e comemora o número sem calcular a margem real pode estar trabalhando pro enriquecimento da plataforma.

O movimento certo é usar o app pra o que ele faz melhor — trazer cliente novo e cobrir ociosidade — e ao mesmo tempo construir canal direto pra cliente recorrente. A combinação certa: 50-60% do faturamento delivery via apps, 40-50% via canal próprio (balcão + WhatsApp + entrega direta).

Chegar nesse equilíbrio exige controle: saber quanto cada canal gera de margem, qual cliente está migrando, e quando o custo do app justifica o volume. O Gestor Gourmet foi construído pra dar essa visibilidade — DRE por canal, margem por origem de venda, e benchmarks pra comparar se você está melhor ou pior que o setor.